O que não te contaram sobre blogs
Jefter Barony
Descomplicando o marketing para
quem não entende de marketing | Growth marketing | Consultor | Anti-guru maluco
de internet
Publicado
em 4 de mai. de 2019
Li há alguns anos sobre a
mecânica dos blogs, como a internet funciona e o modo que a notícia chega aos
nossos feeds sociais e, acredite se quiser, somos levados a engolir mentiras
das mais escabrosas às mais sutis, afinal, se está na internet é verdade.
Vou contar a você bem
resumidamente como este mundo de notícias online gira e o que está por trás
desta indústria de views, segundo Ryan Holiday.
De onde vem a informação?
Uma pesquisa realizada pela SECOM em 2015 mostra que 76% das
pessoas tiveram acesso a internet todos os dias, ficando em média 5
horas navegando. Repare bem agora, os dados dizem que estes usuários,
cerca de 67%, buscam informações na rede para suprir suas dúvidas e
se inteirar do mundo.
Você já parou para pensar que o
conteúdo que cai na sua linha do tempo no Facebook, Twitter, Insta e por aí
vai, possuem uma fonte? E qual a fonte? Grande parte das notícias tem
embasamento em blogs, que replicam notícias de outros blogs e seguem neste
conglomerado de palavras editadas por milhares de editores e “editores”.
As pessoas querem e buscam por
conteúdo a todo momento, vivemos captando informações, pequenas e grandes,
relevantes ou não. Em tempos modernos dependemos de outras pessoas para gerar
conteúdo, pegando uma notícia aqui e outra acolá para que ao final um texto bem
legal saia diretamente em nossas redes sociais, gerando mais conteúdo e criando
um ciclo.
As informações vistas por cada um
de nós são construídas com base em opiniões, verdadeiras ou fictícias,
difundidas através de redes sociais e mídias online com grande facilidade de
acesso por parte da população.
Acredito que se olharmos para o
conceito da cauda longa temos uma ideia da diversidade imensa de conteúdos
espalhados pela internet, cada qual contando sua verdade. Mas será que é
verdade mesmo? Passamos da era da informação de massa e entramos na era das
segmentações e cada nicho possui um manipulador de mídia estudando o melhor
conteúdo para captar a atenção do seu target (presa).
O desencadear do conteúdo
Vamos imaginar agora. E se o
mundo funcionasse assim: Fulano tem um blog e Ciclano também. Ciclano tem certa
influência nas redes sociais e usa muito o blog de Fulano para embasar algumas de
suas matérias, além do mais, Ciclano possui um público fiel que compartilha
todas suas postagens nas mais diversas redes sociais. Aí chega o Beltrano
que... adivinhe... exatamente, também possui seu cantinho online e é mais
conhecido que Ciclano e Fulano juntos. Beltrano lê tudo que Ciclano escreve em
seu blog, tomando como base para suas matérias, afinal, Ciclano é respeitado e
tem muitos seguidores. E por aí vai, até que um dia, repentinamente, a notícia
dada pelo desconhecido Fulano se torna manchete nacional.
Um blog pequeno pode ser fonte de
notícia para grandes âncoras de cadeia nacional, ou você acha que eles saem de
suas casas pelo Brasil em busca de grandes furos jornalísticos? Um blog que tem
5 mil seguidores no Facebook pode ser nada, a menos que um desses seguidores
seja um(a) “Âncora famosão(ona) da vida”.
Quantas vezes lemos as mesmas
notícias em portais de grande circulação. Seria isso uma mera coincidência? E
antes de continuar, não, não é mais uma teoria da conspiração, mas apenas como
as engrenagens de todo sistema funcionam.
Se eu dominar as regras que
governam os blogs, eu poderei dominar tudo o que eles influenciam. Isso seria,
em essência, o acesso ao controle da cultura. — Ryan Holiday
Hora de falar sobre grana
Então os blogs tem grande poder
sobre o que vemos por aí, correto? E o que eles ganham com isso? Vou resumir em
poucas palavras: Publicidade + Views = Dinheiro.
Empresas de mídia podem muito bem
estar em uma corrida contra o tempo pelo crescimento. Investidores querem
retorno para seu dinheiro e, dada a economia das noticias na internet, isso
quase sempre requer um crescimento exponencial em visitantes únicos e
visualizações de páginas. — Ryan McCarthy, Reuthers
Os blogs ganham dinheiro com
anúncios e estes são pagos de acordo com o número de visualizações ou cliques.
A receita de bolo é Anúncio + Tráfego = Cash.
Cada view nas páginas de notícias
são geradores de renda para estas empresas, e como eles sabem muito bem disso,
fazem o que for necessário para ter o máximo de pessoas acessando seus
conteúdos diariamente.
Ah! Não posso deixar de falar que
cada furo de reportagem na internet equivale a um caminhão cheio de dinheiro.
Quer ajudar um blogueiro a ganhar dinheiro? Visite seu site e confira tudo que
foi escrito, mesmo que discorde dele.
Não caia em tentação, estes caras
são mestres em utilizar termos alucinógenos do tipo “Urgente”, “Único”,
“Oportunidade de vida”, “As 7 coisas mais blá blá blá”. É tão cativante que
você vai até lá para comentar o quanto a matéria é supérflua. Muita gente
imagina que aquilo tem que ser verdade, não é mesmo?
Três etapas para brincar com
o sistema
Quer saber de verdade como o
mundo digital opera? Vou resumidamente citar o que Ryan Holiday fala em seu
livro. Lembrando que estes passos não são verdades absolutas e eu
particularmente não pratico, assim como não generalizo, porém, contudo, no
entanto, todavia, sempre haverá alguém para fazer o trabalho (infelizmente).
Antes de citar as 3 etapas, você
precisa entender que o consumidor, segundo estudos, possui 6 características
inconscientes, que são: Emoção, visual, contraste, egoísmo, começo e
fim, tangibilidade. Com estes 6 itens, um bom manipulador consegue fazer
uma mentira se tornar verdade nas mídias on e off. Cuidado!
Etapa 1
Primeiramente é preciso que se
encontre influenciadores locais, estas pessoas normalmente possuem algum canal,
seja no Face ou em blogpots por aí, e que escrevam sobre pessoas,
acontecimentos importantes do bairro, da cidade, política, segurança pública,
denúncias e por aí segue a lista. Normalmente essas pessoas possuem um público
fiel que confiam inteiramente nas publicações como verdades claras.
Estes caras não tem muita grana e
precisam de notícias para sustentar o blog, ou seja, é fácil vender uma
história pronta para essa turma. O que nos leva ao passo 2.
Etapa 2
Um misto de fontes on e off,
vindos de boatos da comunidade, de histórias veiculadas em outros blogs e sites
de notícias são materiais ricos para gerar conteúdo nesta fase.
Agora é a vez de blogs maiores,
mas que não possuem uma rigidez na peneira editorial, eliminam muitas vezes
qualquer crítica. São sites e blogs interligados a plataformas digitais, como o
Google News e afins, o que ajuda a dar credibilidade e caírem nas primeiras
páginas de busca.
Não podemos esquecer que a linha
editorial de alguns veículos é diferente em seus meios on e off, fazendo com
que o erro ganhe peso. Atualmente não damos créditos suficientes para alguns
meios de comunicação online, mas basta ser veiculado nos impressos que aquilo se
torna uma verdade irrefutável. Um bom logotipo estampado ganha o jogo e do off
vai direto para a World wide web.
Parece ridículo achar que o off
ainda tem tanto poder, porém lembre-se: a geração dos seus pais ainda está bem
viva.
Segundo Ryan, o segredo é criar
uma boa história e, quem sabe, um storytellings que vende sozinho o produto, ou
a notícia.
Crie uma boa história e ela
aparecerá acompanhada de um grande “ Boa noite. Está começando o …”
Etapa 3
Ao inserir uma história dentro do
sistema de blogs através de várias plataformas e dos mais diversos domínios,
canais, mídias locais e intermediários, é hora do grand final.
Os sites e blogs menores querem
divulgar seus belos textos, but se eles caírem em rede
nacional, que coisa boa, pois é grana no bolso e reconhecimento por parte de
quem compra essas notícias.
Vários apresentadores e âncoras
prestam atenção no que está acontecendo na internet, sabem qual é o barato do
momento e pegam isso como pontos de notícia. Ou você acha que somente agências
de publicidade monitoram a internet?
Será que você já se perguntou os
motivos pelos quais um assassinato brutal da sua cidade nunca foi parar no
noticiário, enquanto notícias supérfluas deslancharam? Simples. Não houve
alguém que soubesse levar a notícia do jeito certo até as pessoas certas.
Se a história está bem amarrada,
passou por diversos blogs menores, mas relevantes para muita gente, que se
exploda a verdade, o importante são os views, as curtidas, os comentários e o
dinheiro no bolso.
Uma triste realidade que vale
uma reflexão
Muitos blogs enganam seus
leitores e espalham notícias quentes, mas totalmente fora do contexto e depois
criam títulos incríveis para ninguém pular a matéria.
A premissa aqui é: Dê ao
público o que se espalha, não o que é bom. — Ryan Holiday
Não é todo blog ou jornalista que
utiliza fontes porcas e escreve matérias totalmente fora do seu contexto em
prol do dinheiro, mas tem quem o faça.
Em tempos de internet, saber de
onde vem a fonte e o conteúdo dela é de extrema importância, sem isso você está
a mercê de manipuladores, pessoas que ganham a vida criando notícias fake,
destruindo vidas e colaborando para o emburrecimento.
Eu poderia ficar aqui e escrever
um livro, mas se você quer entrar mais a fundo neste tema eu recomendo a
leitura do livro que tanto citei, se chama “Acredite, estou mentindo.
Confissões de um manipulador das mídias”, escrito por Ryan Holiday. Vale a
leitura.
Espero que a primeira coisa que
você faça depois de ler este texto seja confirmar tudo que escrevi, talvez eu
esteja mentindo.
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