Manifestantes lotam Avenida Paulista em ato de apoio a Jair Bolsonaro
Bolsonaro chegou ao evento emocionado e chorou ao ver a quantidade de manifestantes enquanto se deslocava para o carro de som onde ocorrem os discursos.
A manifestação foi convocada por Bolsonaro desde o dia 12 de fevereiro, quatro dias após o ex-presidente e seus aliados serem alvo da investigação Tempus Veritatis, da Polícia Federal. A investigação que tenta associá-los a uma suposta tentativa de golpe de Estado.
Por volta de 15h, a multidão ocupava todas as pistas e calçadas da avenida em quase toda a sua extensão. O carro de som onde ocorrerão os discursos está posicionado próximo ao museu MASP (Museu de Arte de São Paulo). Há um grande número de policiais no local e a chegada dos manifestantes ocorre de maneira ordeira e tranquila. Não há controle de acesso à região e muitos manifestantes estão pedindo para tirar fotos com os policiais.
Os manifestantes estão
entoando gritos como "eu vim de graça" e "Lula, ladrão, seu
lugar é na prisão". Michelle Bolsonaro abriu o ato agradecendo a Deus pela
presença da multidão.
Bolsonaro e seus aliados vêm pedindo nos últimos dias que os participantes não levem cartazes para fazer ataques a autoridades públicas. O receio é que o STF (Supremo Tribunal Federal) use eventuais mensagens para fazer novas acusações contra Bolsonaro. A Gazeta do Povo testemunhou ao menos um caso em que um manifestante levou um cartaz contra o ministro do Supremo Alexandre de Moraes e foi convencido por outros participantes do ato a não exibi-lo.
O senador Flávio Bolsonaro
afirmou em sua conta no X (Twitter) que algumas pessoas exibindo cartazes.
"Já observamos alguns infiltrados na multidão que estão desrespeitando a
orientação. Estamos de olho", afirmou.
A maior parte das pessoas
presentes usam camisetas da seleção brasileira e portam bandeiras do Brasil.
Alguns também portam bandeiras de Israel, como o motorista Ivan Almeida, de 55
anos. "Israel é de direita e é um país bíblico, do povo de Deus, por isso
estou com a bandeira de Israel. Vim de Brasília pelos ideais de família e
patriotismo e por causa das pessoas que estão sendo presas injustamente pelos
ministros do STF. Eu estive também na manifestação de 8 de janeiro",
afirmou.
Uma fala recente do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva comparando a guerra travada por Israel contra
terroristas do Hamas na Faixa de Gaza com as ações dos nazistas durante o
Holocausto colocou a defesa de Israel na pauta da manifestação deste domingo. O
embaixador israelense no Brasil, Daniel Zonshine, chegou a ser convidado para o
protesto pelo advogado de Bolsonaro, Fábio Wajngarten, mas decidiu não
participar para não agravar a crise diplomática.
"Vim para essa
manifestação para lutar para termos um pouco mais de liberdade no país. Os
brasileiros estão tendo as pernas amputadas por perder o direito de fazer
manifestações, de pensar e de se expressar. Mesmo que a gente pense diferente
temos que respeitar uns aos outros", afimrou o mecânico Paulo de Moraes,
de 48 anos.
"Este ato demonstra de
que lado o povo está. Estamos em um governo lotado de corrupção, o povo
sofrendo, impostos aumentando. É necessário dar um basta e nada melhor que uma
forma democrática, que é uma manifestação do povo, uma manifestação pacífica",
disse o deputado federal Coronel Telhada (PP-SP).
O deputado estadual Major Meca
está no ato e afirmou: "Quando o bem se levanta, o mal começa a se
perturbar. Este ato é pra mostrar que a direita, o conservadorismo, estão vivos
no Brasil. Nós estamos mais fortes do que nunca, estamos ao lado do presidente
Jair Bolsonaro, pois ele é um político honesto, é um gestor honesto e nós
confiamos nele", afirmou.
Entre os políticos mais
célebres que deverão comparecer ao evento estão os governadores Tarcísio de
Freitas (São Paulo), Romeu Zema (Minas Gerais), Jorginho Melo (Santa Catarina)
e Ronaldo Caiado (Goiás).
Líderes da Câmara, como o
presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Pedro Lupion (PP-PR), e o
presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, Joaquim Passarinho
(PL-PA), também deverão ir ao ato. A grande maioria dos parlamentares que confirmaram
presença é do Partido Liberal, mas há aliados de Bolsonaro de partidos como
União Brasil, MDB, PP e Republicanos.
A ex-primeira-dama
Michelle Bolsonaro fez a abertura do ato às 15h por meio de uma oração, seguida
da execução do Hino Nacional. Em seguida devem ocorrer discursos, com três
minutos de duração cada, dos deputados Gustavo Gayer (PL-GO), Nikolas Ferreira
(PL-MG) e Coronel Zucco (PL-RS) e dos senadores Magno Malta (PL-ES), Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN). Também devem falar o governador de
São Paulo e do pastor Silas Malafaia, cuja Igreja Assembleia de Deus Vitória em
Cristo. Ainda não está claro se Bolsonaro vai se pronunciar e como isso pode
acontecer.
O tema da manifestação é
“Deus, pátria, família e liberdade”. Ela contesta a perspectiva de o
ex-presidente pegar uma pena de até 23 anos de prisão e ficar inelegível por
mais de 30 anos. Bolsonaro já foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) por suspeitar da segurança do sistema eletrônico de votação, mas vem
negando em suas declarações qualquer envolvimento em irregularidades.
Além de mostrar a força política de Bolsonaro frente às acusações da Polícia Federal e Procuradoria Geral da União, a manifestação deve gerar impacto nas eleições municipais do fim deste ano, segundo afirmou o deputado Coronel Zucco à reportagem. O apoio nas ruas pode ajudar o projeto do Partido Liberal de eleger mais de mil prefeitos pelo Brasil e fortalecer candidatos de direita em geral.Parlamentares governistas e lideranças do Partido dos Trabalhadores vêm divulgando críticas e informações falsas nas redes sociais sobre a manifestação. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) ao discursar na Câmara disse que “quem for à Paulista vai sair direto para a Papuda”, se referindo a Penitenciária de Brasília, para onde foram levados os presos do 8 de janeiro.
A presidente do PT, Gleisi Hoffman (PT-PR) pressionou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, por ele ter faltado ao ato “Democracia Inabalada”, promovido por Lula no Salão Branco do Congresso, e ter confirmado presença no ato pró-Bolsonaro. Gleisi afirmou no X (Twitter) que “essa manifestação será um flerte com o golpismo, com o fascismo. É uma afronta à democracia e à Constituição”.
Mas a oposição classifica essas declarações como tentativas de esvaziar a manifestação com ameaças e retrata o governo em uma posição amedrontada frente à capacidade de mobilização do ex-presidente.










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